Durante algum tempo, usei bastante dois adágios populares, para ironizar ações de alguns governantes que se alardeavam competentes, quando administravam sentados aos “barris de petróleo”. Eram eles: “Rir com dente é fácil, o difícil é rir sem dente” e “Cavalo carregado de açúcar, até a ferradura é doce.” À época, fazia referência aos desatinos de “pseudo-administradores”, que vendiam uma falsa alegria de shows e festas, enquanto sangravam os cofres públicos pela corrupção, recorrendo ao antigo signo da política do “pão e circo”.
Ao assumir o compromisso de administrar Búzios, com a equipe de Mirinho, pude perceber que a irresponsabilidade e a leviandade, no trato do dinheiro público, ultrapassavam os limites do município de Cabo Frio. Búzios, como também todas as outras cidades da Bacia de Campos, viveu, no ano de 2008, o auge da sua arrecadação financeira. Entretanto, vergonhosamente, achava-se mergulhada numa profunda crise econômica.
E foi assim que, em 2009, ao assumirmos, encontramos a realidade do cidadão buziano: não havia coleta de lixo, fornecimento de energia, recolhimento de encargos e, muito menos, crédito junto a fornecedores e instituições financeiras. A dívida pública chegava aos patamares de 32 milhões de reais, sem contar a descoberta de um verdadeiro assalto, que fora feito nos cofres públicos, com o saque de um cheque de 790 mil reais, sem a devida prestação do serviço. Para piorar, a crise econômica mundial acenava, havendo uma redução de 40 milhões de reais na arrecadação dos royalties do petróleo para o ano.
A tarefa de colocar a casa em ordem, resgatar o crédito e restabelecer serviços foi muito mais difícil do que no primeiro Governo de Mirinho – quando teve que erguer um município recém criado, mas foi possível e está sendo concretizada. Como resultado das realizações de 2009, vivemos a expectativa de um grande momento, em que contamos com convênios com o Estado, com o Governo Federal, recuperação da economia e aumento da produção de petróleo na bacia de Campos.
Quando tudo parecia se encaminhar bem, a grande novidade: a emenda Ibsen Pinheiro, que modifica o critério de partilha dos royalties, penalizando o povo do Rio de Janeiro, sustentada na argumentação de punir “maus gestores”. Ora, puni-los, com a retirada dos recursos dos royalties da nossa população, é um argumento extremamente frágil e que vem a trazer sérias conseqüências ao Estado do Rio de Janeiro como um todo. Os deputados deveriam ocupar-se de fazer um conjunto de leis capaz de punir, com rigor e celeridade, aqueles que usam mal o dinheiro público – quer seja ele oriundo dos royalties ou não. A vitória, porém, não tarda, e será de todos nós.
Janio Mendes: professor, advogado, pós-graduado em Administração Pública. Cumpriu quatro mandatos como vereador em Cabo Frio. Hoje , é Chefe de Gabinete, em Armação dos Búzios e Presidente do PDT, em Cabo Frio.